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quarta-feira, 24 de julho de 2013

Ludismo na Revolução Industrial


Com o advento da Revolução Industrial no século XVIII, as indústrias substituíram a produção artesanal pela mecânica, proporcionando, assim, um aumento significativo na produção diária de mercadorias. Esses avanços enriqueceram os capitalistas (burguesia detentora de riquezas), mas os trabalhadores foram excluídos desse enriquecimento.

Na verdade, as condições de vida dos trabalhadores eram precárias: eles viviam em bairros afastados das regiões centrais das cidades, suas casas eram insalubres, construídas em ruas escuras e sem pavimentação, eram mal ventiladas, não tinham água e apresentavam péssimas condições sanitárias.
As indústrias, conforme as casas dos trabalhadores, também não proporcionavam boas condições de trabalho, geralmente eram quentes e úmidas, com pouca ventilação. A alimentação servida para os operários nas fábricas era insuficiente e de péssima qualidade, pobre em nutrientes.

Outro fator que acirrou, cada vez mais, as relações entre capitalistas e trabalhadores foi a interminável jornada de trabalho. Cada trabalhador chegava a trabalhar dezoito horas ao dia. Juntamente com as péssimas condições de trabalho, a expectativa de vida dos operários era baixa, em virtude também da incidência de doenças e de acidentes de trabalho. Dessa forma, os capitalistas preferiam contratar mulheres e crianças, no intuito de evitar maiores problemas relacionados às manifestações e às revoltas operárias, que reivindicavam melhores condições de trabalho.

Com o incremento das máquinas industriais nas fábricas, rapidamente a mão de obra operária foi sendo substituída, gerando milhares de desempregados. Logo em seguida, os trabalhadores reagiram com o movimento de quebra de máquinas: no ano de 1811, muitos trabalhadores invadiram as fábricas à noite e quebraram as máquinas com golpes de martelos.

Para esses trabalhadores, as máquinas se transformaram na principal responsável pela situação de exploração e de desemprego em que se encontravam. Os trabalhadores quebradores de máquinas ficaram conhecidos como ludistas, pois o principal líder do movimento se chamava Ned Ludd. Rapidamente, o ludismo se espalhou da Inglaterra para outros países europeus.

Portanto, o ludismo se constituiu como o primeiro movimento operário de reivindicação de melhorias nas relações e condições de trabalho.

Leandro Carvalho
Mestre em História

terça-feira, 23 de julho de 2013

Heráclito ( Interessante! )


Para Heráclito de Éfeso, nascido por volta de 540 a.C., tudo o que existe está em permanente mudança ou transformação. A essa incessante alteração deu o nome de DEVIR.

O mundo, segundo Heráclito, é um fluxo permanente em que nada permanece idêntico a si mesmo. Tudo se transforma no seu contrário. “A guerra é mãe e rainha de todas as coisas”. É da luta entre os contrários, ou seja, do devir, do tornar-se, do vir-a-ser, que eles se harmonizam numa unidade. O Lógos (razão, discurso sobre o ser) é mudança e contradição.

Isso significa que a verdade é dialética, isto é, as palavras dizem as coisas em sua eterna transformação. Os nossos sentidos enganam-nos, pois enxergamos as coisas imóveis, estáveis, com uma forma própria e determinada. Porém, nosso pensamento capta a instabilidade e mutabilidade dos seres. “É impossível entrar no mesmo rio duas vezes”. As águas já são outras e nós já não somos os mesmos.

É na síntese entre os pares de contrários (o dia que se torna noite que se torna dia novamente; a vida que se torna morte e vice-versa; o quente que se torna frio e o frio que se torna quente; o seco que umedece, o úmido que seca, etc.), da multiplicidade contraditória que surge a unidade dialética que nos permite algum conhecimento, ainda que passageiro.

O Obscuro, como era conhecido Heráclito, concebeu o FOGO como o princípio eterno que causa a mudança e concebe Deus como a harmonia ou síntese entre os contrários. É uma concepção de realidade que permite compreender o mundo somente no seu devir e na unidade dos opostos. Quer dizer que a doença torna valorosa a saúde e que jamais entenderíamos o significado da justiça se não houvesse a ofensa. O sentido, o significado está na harmonia, na conciliação entre os vários pares de contrários.

Por isso, é muito provável que a imagem do inferno criada pela Igreja Católica e pelos artistas ocidentais tenham referência à filosofia heraclitiana. Isso porque o fogo que significa mudança, instabilidade se opõe radicalmente ao ar que representa o céu, o repouso em que Deus é fonte confiável do conhecimento e da ordem.

Por isso também, em geral, os movimentos contra a ordem estabelecida no decorrer da história (como o comunismo contra o capitalismo; o rock contra a sociedade consumista e alienada, o feminismo, etc.) fazem reverência à mudança, ao vermelho (fogo) e ao diabo, pois sua intenção é promover a instabilidade contra os sistemas.

É interessante observar como a filosofia de Heráclito permanece atual. No que se refere à matéria, essa é mutável e concebida pelos cientistas como eternamente em transformação (como afirmou o químico Lavoisier no século XVIII, “na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”). A atualidade de seu pensamento também pode ser observada no Princípio da incerteza de Heisenberg, físico que ajudou a desenvolver a mecânica quântica no século XX, que diz ser impossível afirmar com exatidão a posição de um elétron em um átomo em razão da metodologia de aferição.


Também podemos observar o Devir em nosso próprio metabolismo, pois constantemente estamos incrementando matéria ao nosso corpo (alimentação que permite o crescimento) e o desgaste físico com a idade (que é a perda de matéria).




Assim, concebe-se o pensamento de Heráclito como a base do materialismo, ou seja, da filosofia que concebe como unicamente existente, em todos os níveis, a matéria.

Por João Francisco P. Cabral
Colaborador Brasil Escola
Graduado em Filosofia pela Universidade Federal de Uberlândia - UFU
Mestrando em Filosofia pela Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP

sábado, 20 de julho de 2013

Filósofo Mikhail Bakhtin

Mikhail Bakhtin
Nascido no dia dezessete de novembro do ano de 1895 em Orel (Rússia), Mikhail Mikhailovich Bakhtin  foi um pensador e filósofo, além de teórico de artes e cultura da Europa. Considerado um dos maiores estudiosos da linguagem humana, suas obras sobre diversos temas influenciaram uma infinidade de pensadores de diversas áreas como: crítica da religião, estruturalismo, semiótica e marxismo. Além disso, também teve forte influência nas seguintes disciplinas: psicologia, antropologia, história, filosofia, crítica literária, entre outras.

As ideias de Bakhtin, embora fossem ativas nas discussões sobre literatura e estética, não encontraram espaço durante os anos 20 na União Soviética. Porém, nos anos 60, um grupo de estudiosos da Rússia redescobriu sua obra, o que acabou tornando-o conhecido e fez com que suas ideias fossem difundidas. Entre outros feitos, Bakhtin foi o criador do conceito de polifonia referente a obras literárias, que era parte de uma teoria inovadora sobre o romance europeu.

Ao explorar princípios artísticos do romance, criou a teoria do humor popular e da cultura universal. Menippea, carnavalização, cronotopo, cultura cômica e polifonia são alguns de seus principais conceitos. Bakhtin produziu vários livros a respeito de questões de teoria geral, teoria e estilo dos gêneros de discurso. É considerado um dos líderes do “Círculo de Bakhtin”, um grupo formado por intelectuais da Rússia.

Uma das principais obras de Mikhail Bakhtin é “Marxismo e Filosofia da Linguagem”, na qual pretende dotar a teoria do marxismo de uma formulação coesa quando relacionada à psicologia e à ideologia, superando de forma simultânea o subjetivismo idealista e o objetivismo abstrato. Para atingir seu objetivo, encontra um signo ideológico e social no signo linguístico, relacionando a interação da sociedade com a consciência individual. De acordo com Bakhtin, não é o pensamento que faz surgir a ideologia, mas sim a ideologia que origina o pensamento do indivíduo.

A obra “Marxismo e Filosofia da Linguagem” foi escrita por Bakhtin ao fim dos anos 20, mas ainda apresenta uma atualidade admirável e forma a fundamentação de teoria semiótica e textual utilizada atualmente. Com características interdisciplinares, sem apresentar caráter positivista ou mecânico, impulsiona novas interpretações sobre ideologia, comunicação, linguagem e signo. De forma original, introduz o materialismo dialético no campo linguístico.

As principais obras de Mikhail Bakhtin são: “Freudismo”, “Marxismo e Filosofia da Linguagem”, “Cultura Popular na Idade Média: o contexto de François Rabelais”, “Estética da Criação Verbal”, “Problemas da poética de Dostoiévski” e “Questões de Literatura e de Estética”, todas com edições em português.