quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Anarquismo


Quando falamos em “anarquia”, muitos acreditam que a expressão tem a ver com qualquer evento ou lugar carente de organização. Contudo, essa apropriação contemporânea está bem distante das teorias que integram o chamado pensamento anarquista, estabelecido logo depois que as contradições e injustiças do sistema capitalista já se mostravam visíveis no século XVIII.

Um dos precursores do anarquismo foi William Godwin (1756 - 1836) que, já naquela época, propunha um novo tipo de arranjo social em que as pessoas não estivessem subordinadas à força dos governos e leis. Em sua perspectiva, acreditava ser possível que em um contexto dominado por princípios racionais e equilibrado entre as necessidades e vontades, seria possível conduzir a vida em sociedade. Além disso, também defendia o fim da propriedade privada.

Já no século XIX, notamos que outros pensadores passam a aprofundar as discussões de natureza anárquica. Entre essa nova leva de teóricos podemos citar as contribuições dadas por Mikhail Bakunin, Joseph Proudhon, Enrico Malatesta, Leon Tolstoi, Max Stirner e Peter Kropotkin. Em geral, todos eles tentaram trilhar caminhos que pudessem conceber uma sociedade plenamente libertária.

Conforme já salientado, os anarquistas concordavam que toda instituição dotada de poderes impedia o alcance da liberdade. Dessa forma, o Estado, a Igreja e muitos costumes são criticados na condição de verdadeiros entraves para o alcance de um mundo regido por pessoas livres. Paralelamente, as diferenças que identificam as classes sociais também seriam combatidas por meio da extinção das propriedades privadas.

Em uma sociedade desprovida de Estado, a produção e o gerenciamento das riquezas seriam estipulados por meio de ações cooperativistas. Nesse contexto, todos alcançariam condições de possuírem uma vida minimamente confortável e ninguém teria sua força de trabalho explorada em benefício de um terceiro. Logo, a violência e a miséria dariam lugar para um novo mundo regido pela felicidade da ampla maioria.

Assim como os socialistas, os anarquistas acreditavam na expressa necessidade de se realizar um movimento revolucionário que combatesse as autoridades vigentes. Apesar de tal concordância, os anarquistas não acreditavam que uma ditadura do proletariado fosse realmente necessária para que a sociedade comunista fosse alcançada. Em sua visão, a substituição de um governo por outro somente fortaleceria novas formas de repressão e desigualdade.

Por Rainer Sousa
Graduado em História

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Consciência


A palavra consciência vem do latim conscientia: conhecimento de algo partilhado com alguém.
O termo “consciência” tem, em português, pelo menos dois sentidos, descoberta ou reconhecimento de algo, quer de algo exterior, como um objeto, uma realidade, uma situação etc., quer de algo interior, como as modificações sofridas pelo próprio eu, conhecimento do bem e do mal. 

O primeiro sentido de consciência pode desdobrar-se noutros sentidos: o psicológico, o epistemológico e o metafísico. Em sentido psicológico, a consciência é a percepção do eu por si mesmo, este é o conceito mais conhecido. Em sentido epistemológico, a consciência é primeiramente o sujeito do conhecimento. Em termos metafísicos, chamamos muitas vezes à consciência o Eu.

A consciência é uma qualidade da mente, considerando abranger qualificações tais como subjetividade, autoconsciência e a capacidade de perceber a relação entre si e o outro.

Alguns filósofos dividem consciência em:

1. Consciência fenomenal, que é a experiência propriamente dita, é o estado de estar ciente, assim como dizemos "estou ciente" e consciente de algo, tal como quando dizemos "estou ciente destas palavras".

2. Consciência de acesso, que é o processamento das coisas que vivenciamos durante a experiência.
Consciência é uma qualidade psíquica, isto é, que pertence à esfera da psique humana, por isso diz-se também que ela é um atributo do espírito, da mente ou do pensamento humano. Ser consciente não é exatamente a mesma coisa que perceber-se no mundo, mas ser no mundo e do mundo, para isso, a intuição, a dedução e a indução tomam parte.

Orson Camargo
Colaborador Brasil Escola
Graduado em Sociologia e Política pela Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP
Mestre em Sociologia pela Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP

As Rotas de Seda


As Rotas da Seda eram uma série de rotas interconectadas através do sul da Ásia e eram usadas no comércio da seda entre o Oriente e a Europa. Os meios de transporte que rodeavam tais rotas eram as caravanas e embarcações oceânicas que faziam a ligação do Oriente e a Europa.

 No inicio, a rota ligava a cidade de Chang’an na China até Antioquia na Ásia menor, porém sua influência foi aumentando chegando até a Coreia e o Japão, formando assim a maior rede comercial do Mundo Antigo. Essa rotas não foram importantes somente para o crescimento e desenvolvimento de regiões e de grandes civilizações como o Egito Antigo, a Mesopotâmia, a China, a Pérsia a Índia e Roma, elas foram importantes também para fundamentar o início do mundo moderno.



A rota da seda continental se divide em rotas do sul e do norte, por causa de importantes centros comerciais que se encontram no norte e no sul da China. A rota do norte atravessava todo o Leste Europeu (os mercadores criaram até mesmo cidades na Bulgária), a península da Crimeia, o Mar Negro, o Mar de Marmara, chegando aos Bálcãs e por fim, a Veneza. A rota do Sul percorre o Turcomenistão, a Mesopotâmia e a Anatólia. Chegando nesse ponto, tal rota se divide em rotas que levam a Antioquia (na Anatólia meridional, que é banhada pelo mar Mediterrâneo), ou ao Egito e ao Norte da Africa.


A rota da seda marítima estende-se a China Meridional (atualmente Filipinas, Brunei, Sião, e Malaca) até destinos como Ceilão, Índia, Pérsia, Egito, Itália, Portugal, e até a Suécia. No dia 7 de setembro de 2005, foi confirmado que o Departamento de Patrimônio Histórico de Hong Kong pretende propor a Rota Marítima da Seda como Patrimônio da Humanidade.

Mas falar em Rota da Seda  sem procurarmos entender o que é a seda é completamente difícil. No passado remoto, os Chineses aprenderam a fabricar a seda a partir da fibra branca dos casulos dos bichos da seda. Só os Chineses sabiam como fabricá-las e mantinha esse segredo muito bem guardado. Quando eles, os chineses, começaram a fazer contato com cidades ocidentais, encontraram pessoas muito dispostas a pagar muito caro por esse produto.

Um lado muito positivo desse processo de produção da seda, e principalmente de todas essas rotas dedicadas ao transporte dela, foi que os dois lados (tanto a China produtora, quanto a o ocidente como mercado consumidor) aprenderam muito sobre essas diversas culturas e isso fez com que expandisse suas ideias sobre o mundo.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Conceitos de Hermenêutica

hermenêutica  pode ser compreendida como o processo de decifração de um conteúdo e de um significado manifestos para um significado latente ou escondido (PALMER, 1986). O termo hermenêutica (hermeneutikem alemão; herméneutique em francês; hermeneutica em latim), no entanto, remetia-se originalmente aos campos humanísticos, cujo significado, âmbito e clarificação fundamental em seu desenvolvimento adquiriu novas perspectivas a partir do Século XVII (DOMINGUES, 2004).


A hermenêutica moderna surgiu inicialmente como reflexão sobre os fundamentos e a metodologia referente à interpretação dos textos religiosos, literários e legais. Hoje são possíveis algumas subdivisões, mencionadas abaixo:

Hermenêutica Bíblica

Teoria da exegese da Bíblia, sendo justificada historicamente pela necessidade do estabelecimento de regras específicas para a análise e compreensão dos textos das Escrituras (Antigo e Novo Testamento).

Hermenêutica Filológica

Metodologia geral, surgiu do advento e desenvolvimento do racionalismo iluminista, estabelecendo um conjunto de regras gerais de exegese filológica a ser aplicada aos textos literários diversos, inclusive às Escrituras Bíblicas;

Hermenêutica Científica

Ciência da compreensão linguística, desenvolvida por Friedrich Daniel Ernst Schleiermacher, dando uma base sistemática universal; ultrapassando a concepção das regras hermenêuticas e descrevendo as condições da própria compreensão em qualquer diálogo.

Hermenêutica Aplicada

Base metodológica para as geisteswissenchaftliche, isto é, de todas as disciplinas centradas na compreensão da arte, comportamento e escrita do homem tendo o projeto de Wilhelm Dilthey como base metodológica verdadeiramente humanística; defendia que a interpretação das expressões essenciais da vida humana implica em um ato de compreensão histórica, numa operação fundamentalmente diferente da quantificação e do domínio científico do mundo natural; acreditava que no ato de compreensão histórica está em causa um conhecimento pessoal do que significa ser humano.

Hermenêutica Fenomenológica

Fenomenologia do existente humano (Dasein, ser-aí) e da compreensão existencial, a partir das concepções de MartinxHeidegger  e Hans-GeorgxGadamer; a hermenêutica do  existente humano (ser-aí) transforma-se de fato em hermenêutica, na medida em que apresenta a ontologia da compreensão, sendo tal investigação de caráter hermenêutico, tanto no conteúdo como no método; compreensão e interpretação são modos fundantes da existência humana.

Hermenêutica Cultural

Sistema de interpretação e da recuperação do sentido, sendo decorrente das aplicações que Paul Ricoeur  faz da hermenêutica na procura de uma filosofia mais adequada e centrada na interpretação dos mitos e símbolos para alcançar o significado subjacente.Tal hermenêutica remonta a uma centração na exegese interpretativa de textos ou do conjunto de sinais susceptíveis de serem considerados como textos, usando elementos da psicanálise; os textos, no sentido lato, podem ser constituídos pelos símbolos de um sonho, ou por mitos e símbolos sociais ou literários.


FONTE:http://www.infoescola.com/filosofia/conceitos-de-hermeneutica/

domingo, 28 de julho de 2013

Abraham Lincoln

Abraham Lincoln


16º Presidente norte-americano (1861-1865) nascido em Hodgenville, Kentucky, lembrado como o presidente que emancipou os escravos nos EEUU e considerado um dos inspiradores da moderna democracia e uma das maiores figuras da história americana. Filho de paupérrimos lavradores, aos sete anos foi para Indiana com a família, em busca de melhore condições de sobrevivência. Órfão de mãe tornou-se um autodidata e pedia livros a amigos e vizinhos para ler depois das tarefas diárias. Trabalhou numa serraria e em barcos dos rios Ohio e Mississipi. Aprovado em exames de direito (1836), tornou-se um advogado muito popular. 

No ano seguinte, sua família mudou-se para Springfield, Illinois, onde Lincoln encontrou melhores oportunidades profissionais. Casou-se (1842) com Mary Todd Lincoln (1818-1882) e eles tiveram quatro filhos, mas apenas um viveu até a maturidade. Mulher inteligente e ambiciosa o levou a entrar para a política. Filiado ao partido conservador whig, elegeu-se quatro vezes para a assembléia estadual (1834-1840) e foi representante de Illinois no Congresso (1847-1849), onde propôs a emancipação gradativa para os escravos, tese que desagradou tanto aos abolicionistas quanto aos escravistas. 

Além disso sua oposição à guerra no México, fê-lo perder muitos votos e ele não conseguiu reeleger-se. Sem mandatos públicos por cinco anos, assumiu uma atitude antiescravagista e transformou-se no paladino dessa tendência após o debate que travou com o senador democrata Stephen Douglas. Candidato ao Senado pelo novo Partido Republicano, perdeu as eleições para Douglas (1858), mas se tornou líder dos republicanos e dois anos depois (1860), elegeu-se o 16º presidente dos Estados Unidos. Sua posição antiescravagista provocou o separatismo de sete estados escravistas do sul, que formaram os Estados Confederados da América. O presidente não reconheceu a secessão e os confederados, tomaram o forte Sumter, na Virgínia Ocidental, iniciando a famosa guerra civil americana, a Guerra de Secessão. 

Os confederados haviam consolidado sua situação, com a adesão de mais quatro estados aos sete sublevados, chegaram à Pensilvânia (1863) e ameaçaram Washington. Prém com a vitória contra os confederados na batalha de Gettysburg (1863), o presidente decretou a emancipação dos escravos e, a seguir, pronunciou o célebre discurso em que definiu o significado democrático do governo do povo, pelo povo e para o povo, e que alcançou repercussão mundial. A guerra ainda continuou ainda por dois anos, mas agora a vitória da União era irreversível. 

Reeleito presidente (1864), os confederados renderam-se em Appomattox em nove de abril (1865). Preparava um programa de educação dos escravos libertados e defender o direito de voto de ex-escravos, quando foi assassinado pelo ex-ator John Wilkes Booth, com um tiro de pistola na nuca, enquanto assistia a um espetáculo no Teatro Ford, em Washington, e morreu na manhã do dia seguinte, em 14 de abril cinco dias depois da rendição. Alguns dias depois Booth também foi morto ao resistir a um cerco policial para aprendê-lo. 



FONTE:http://www.brasilescola.com/biografia/abraham-lincoln.htm

sábado, 27 de julho de 2013

O Fetichismo da Mercadoria na Obra de Karl Marx

Karl Marx

Segundo o Minidicionário da Língua Portuguesa Aurélio, o termo fetiche significa “objeto animado ou inanimado, feito pelo homem ou produzido pela natureza, ao qual se atribui poder sobrenatural e se presta culto” (Holanda, 1993), foi este significado conferido ao fenômeno da atribuição de valor simbólico aos produtos (manufaturas) que o sociólogo por Karl Marx (1818 – 1883) observou em meio aos seus estudos sobre o mundo do trabalho na modernidade.

Marx em sua obra máxima intitulada “O Capital”, nota que a mercadoria (manufatura) quando finalizada, não mantinha o seu valor real de venda, que segundo ele era determinado pela quantidade de trabalho materializado no artigo, mas sim, que esta, por sua vez adquiria uma valoração de venda irreal e infundada, como se não fosse fruto do trabalho humano e nem pudesse ser mensurado, o que ele queria denunciar com isto é que a mercadoria parecia perder sua relação com o trabalho e ganhava vida própria.

Karl Marx denomina este fenômeno como sendo um “Fetiche da mercadoria”, para isto ele se baseia na história do personagem bíblico Moisés, que após vagar quarenta anos com o povo escolhido por Deus (Judeus) atrás da terra prometida se depara com a crescente descrença dos seus seguidores, que já estavam cansados de se deslocar errantemente por vários lugares, dado esta insatisfação Moisés, deixa o seu povo em uma terra fértil e se retira temporariamente para meditar e procurar algum sinal que indique a existência real deste Deus, a localização da terra prometida e que com isto possa recuperar a fé do seu povo que ia se perdendo rapidamente.

Moisés sobe ao monte Sinai e fica por muito tempo lá a meditar, o povo ao sentir o sumiço de seu “guia”, se reorganiza politicamente e espiritualmente naquele lugar onde fixaram sua vida material, elegendo a partir disto novas lideranças e novos deuses em que acreditar e orar. Muito tempo se passa em cima do monte Sinai, onde está Moises a meditar até que após vários dias e quem sabe meses os céus se abrem e deles surgem o sinal tão esperado pelo povo Judeu, as tabuas da salvação, onde estavam contidos os “Dez Mandamentos”.

 A partir deste sinal Moises, desce o monte Sinai e vai de encontro ao seu povo para lhes contar e mostrar a boa nova, ao chegar nota que estes haviam se reorganizado em sua ausência e que possuíam novas lideranças e principalmente que haviam juntado todo o ouro e jóias que carregavam consigo e fundiram estas para fazer uma imagem, um novo Deus, que segundo a bíblia seria a imagem de um animal (possivelmente um bezerro) que havia se tornado objeto de adoração e glorificação pelo povo, o nome atribuído a esta imagem era “Fetiche”.

Marx se utilizou desta parábola bíblica e principalmente do nome atribuído à imagem citada para exemplificar na modernidade como o homem estava tratando as mercadorias (sapatos, bolsas, etc.), estas, que com o tempo deixaram de ser um produto estritamente humano para tornarem-se objeto de adoração, a mercadoria deixa de ter a sua utilidade atual e passa a atribuir um valor simbólico, quase que divino, o ser humano não compra o real, mas sim a transcendência que determinado artefato representa.

Este tema infelizmente não foi suficientemente esgotado por Marx que faleceu prematuramente em 1883, porém outros filósofos e sociólogos Neo-Marxistas da pós-modernidade como Max Horkheimer, Theodor Adorno, Walter Benjamin, Bernard Stiegler, Gilles Lipovetsky, Antonio Negri, Alain Badiou, se ocuparam deste assunto, assim criando uma tradição rica de analise deste fenômeno da fetichisação da mercadoria, como esta se dá objetivamente e subjetivamente no ser humano e principalmente propondo encaminhamentos para a resolução deste problema.

A Catedral da Sagrada Família


Para ver a catedral por dentro, acesse esse link: http://www.phototravel360.com/360/espanha/barcelona/sagradafamilia/sagradafamilia.html

A Catedral da Sagrada Família é um edifício que não se parece a nenhum outro, com colunas que se torcem e se ramificam como se fossem árvores, e com enormes torres perfuradas que se erguem silenciosa sobre uma nave vazia. Alguns a descreveram como uma obra genial, outros, como o produto de uma imaginação doente. Poucas construções provocaram reações e emoções tão intensas e encontradas.

A Catedral da Sagrada Família, concebeu-se como uma igreja neogótica perfeitamente respeitável, que deveria construir-se na zona nova de Barcelona, financiada pela Associação Espiritual de Devotos de São José. Seria uma homenagem a São José e a Sagrada Família, símbolos da vida familiar, e por extensão, da base do sistema social. Adquiriu-se um terreno, o arquiteto diocesano Francisco de Paula do Villar elaborou algumas plantas, e em 1882 colocou-se a primeira pedra.
Pouco tempo depois a associação prescindiu dos serviços do arquiteto, substituindo-o por um jovem de apenas 31 anos, chamado Antonio Gaudi.

O que começou sendo uma encomenda converteu-se para Gaudi em uma obsessão a qual dedicou o resto de sua vida, uma devoção na qual a arte e a religião se fundia numa paixão arrasadora.
A Catedral da Sagrada Família é sem dúvida hoje um dos monumentos mais importantes de Barcelona e com certeza uma das criações mais extraordinárias de toda a história da arquitetura ocidental.
Resulta difícil de escrever o estilo que Gaudi adotou para a Catedral da Sagrada Família, já que não existem equivalentes em nenhuma outra parte. Utiliza elementos góticos, mas as formas sinuosas quase líquidas devem muito a Arte Nouveau.
É como se os desenhos de Aubrey Beardsley ou as peças de prata do movimento Inglês de Artes e Ofícios se tivessem convertido em pedra. Trabalhou durante tantos anos nessa igreja – desde que aceitou a encomenda em 1883 até a sua morte em 1926 – que a construção reflete suas próprias mudanças de opiniões em temas arquitetônicos religiosos. O primeiro passo de Gaudi constitui em aumentar as dimensões da igreja. Queria também alterar sua posição, mas os alicerces já estavam feitos.

Durante cerca de dez anos, dedicou-se a construção da cripta, em um estilo mais ou menos gótico, sua principal inovação constituiu em introduzir ornamentação naturalista. Porém a partir de 1890, suas idéias se dispersaram. Abandonou os austeros conceitos de Villar, substituindo-os por uma abigarrada decoração com motivos florais e animais.
Em 1895 estava ainda desenhando a fachada leste, uma decisão polêmica, já que o povo de Barcelona começava a impacientar-se, e a fachada oeste, que dava para a cidade, parecia uma prioridade mais urgente. Gaudi justificou sua decisão alegando que o tema da fachada oriental era o Nascimento de Cristo, e que por isso deveria construir-se antes que a ocidental, cujo tema era a Paixão.
Gaudi já não considerava a igreja como um edifício que deveria construir-se com a maior rapidez possível, mas como uma manifestação religiosa por direito próprio. Realmente um catecismo feito de pedra.
Seus planos foram tornando-se cada vez mais ambiciosos e complicados. Em volta da Catedral da Sagrada Família, dever-se-ia levantar 18 agulhas, com uma grande torre central de 170 metros de altura ( tão alta como a Catedral de Colônia e muito mais que as de São Paulo de Londres e São Pedro de Roma ).
Gaudi pretendia que as torres simbolizassem os doze apóstolos, os quatro evangelistas, A Virgem Maria e o próprio Cristo ( A torre mais alta ). As três fachadas da Catedral da Sagrada Família representariam o Nascimento, a Morte e a Ressurreição de Cristo.
A abundância de simbolismo se apresenta também nos detalhes dos desenhos. Da se a impressão de que Gaudi abominava as superfícies planas. O que mais chama a atenção do visitante é o dinamismo da decoração, com animais, plantas, figuras humanas, árvores e esculturas ocupando até o último centímetro quadrado.
Se Gaudi tivesse vivido para terminá-las, muitas das esculturas se teriam emoldurado em molduras de cores Também planejava construir uma espécie de claustro ao redor de todo a Catedral, que teria isolado o recinto sagrado dos ruídos das ruas.
As quatro agulhas da fachada oriental, com 100 metros de altura, foram as ultimas partes da igreja construídas sob a direção de Gaudi, que chegou a ver terminada, apenas a torre que da para o sul, dedicada a São Barnabé.
Após sua morte e uma larga interrupção – desde 1936, quando iniciou a guerra civil espanhola, até 1952 – as obras continuaram, mas ainda faltava muito para sua conclusão, projetada para antes dos Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992.

O esplendor das idéias de Gaudi só pode ser apreciado de modo fragmentário: por exemplo, quando o interior se ilumina pela noite pode então se ver as luzes saindo através das pedras perfuradas.
Então a Catedral da Sagrada Família, expressa em pedra, realmente as palavras de Cristo: “Eu sou a luz do mundo”.