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sábado, 27 de julho de 2013

A Catedral da Sagrada Família


Para ver a catedral por dentro, acesse esse link: http://www.phototravel360.com/360/espanha/barcelona/sagradafamilia/sagradafamilia.html

A Catedral da Sagrada Família é um edifício que não se parece a nenhum outro, com colunas que se torcem e se ramificam como se fossem árvores, e com enormes torres perfuradas que se erguem silenciosa sobre uma nave vazia. Alguns a descreveram como uma obra genial, outros, como o produto de uma imaginação doente. Poucas construções provocaram reações e emoções tão intensas e encontradas.

A Catedral da Sagrada Família, concebeu-se como uma igreja neogótica perfeitamente respeitável, que deveria construir-se na zona nova de Barcelona, financiada pela Associação Espiritual de Devotos de São José. Seria uma homenagem a São José e a Sagrada Família, símbolos da vida familiar, e por extensão, da base do sistema social. Adquiriu-se um terreno, o arquiteto diocesano Francisco de Paula do Villar elaborou algumas plantas, e em 1882 colocou-se a primeira pedra.
Pouco tempo depois a associação prescindiu dos serviços do arquiteto, substituindo-o por um jovem de apenas 31 anos, chamado Antonio Gaudi.

O que começou sendo uma encomenda converteu-se para Gaudi em uma obsessão a qual dedicou o resto de sua vida, uma devoção na qual a arte e a religião se fundia numa paixão arrasadora.
A Catedral da Sagrada Família é sem dúvida hoje um dos monumentos mais importantes de Barcelona e com certeza uma das criações mais extraordinárias de toda a história da arquitetura ocidental.
Resulta difícil de escrever o estilo que Gaudi adotou para a Catedral da Sagrada Família, já que não existem equivalentes em nenhuma outra parte. Utiliza elementos góticos, mas as formas sinuosas quase líquidas devem muito a Arte Nouveau.
É como se os desenhos de Aubrey Beardsley ou as peças de prata do movimento Inglês de Artes e Ofícios se tivessem convertido em pedra. Trabalhou durante tantos anos nessa igreja – desde que aceitou a encomenda em 1883 até a sua morte em 1926 – que a construção reflete suas próprias mudanças de opiniões em temas arquitetônicos religiosos. O primeiro passo de Gaudi constitui em aumentar as dimensões da igreja. Queria também alterar sua posição, mas os alicerces já estavam feitos.

Durante cerca de dez anos, dedicou-se a construção da cripta, em um estilo mais ou menos gótico, sua principal inovação constituiu em introduzir ornamentação naturalista. Porém a partir de 1890, suas idéias se dispersaram. Abandonou os austeros conceitos de Villar, substituindo-os por uma abigarrada decoração com motivos florais e animais.
Em 1895 estava ainda desenhando a fachada leste, uma decisão polêmica, já que o povo de Barcelona começava a impacientar-se, e a fachada oeste, que dava para a cidade, parecia uma prioridade mais urgente. Gaudi justificou sua decisão alegando que o tema da fachada oriental era o Nascimento de Cristo, e que por isso deveria construir-se antes que a ocidental, cujo tema era a Paixão.
Gaudi já não considerava a igreja como um edifício que deveria construir-se com a maior rapidez possível, mas como uma manifestação religiosa por direito próprio. Realmente um catecismo feito de pedra.
Seus planos foram tornando-se cada vez mais ambiciosos e complicados. Em volta da Catedral da Sagrada Família, dever-se-ia levantar 18 agulhas, com uma grande torre central de 170 metros de altura ( tão alta como a Catedral de Colônia e muito mais que as de São Paulo de Londres e São Pedro de Roma ).
Gaudi pretendia que as torres simbolizassem os doze apóstolos, os quatro evangelistas, A Virgem Maria e o próprio Cristo ( A torre mais alta ). As três fachadas da Catedral da Sagrada Família representariam o Nascimento, a Morte e a Ressurreição de Cristo.
A abundância de simbolismo se apresenta também nos detalhes dos desenhos. Da se a impressão de que Gaudi abominava as superfícies planas. O que mais chama a atenção do visitante é o dinamismo da decoração, com animais, plantas, figuras humanas, árvores e esculturas ocupando até o último centímetro quadrado.
Se Gaudi tivesse vivido para terminá-las, muitas das esculturas se teriam emoldurado em molduras de cores Também planejava construir uma espécie de claustro ao redor de todo a Catedral, que teria isolado o recinto sagrado dos ruídos das ruas.
As quatro agulhas da fachada oriental, com 100 metros de altura, foram as ultimas partes da igreja construídas sob a direção de Gaudi, que chegou a ver terminada, apenas a torre que da para o sul, dedicada a São Barnabé.
Após sua morte e uma larga interrupção – desde 1936, quando iniciou a guerra civil espanhola, até 1952 – as obras continuaram, mas ainda faltava muito para sua conclusão, projetada para antes dos Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992.

O esplendor das idéias de Gaudi só pode ser apreciado de modo fragmentário: por exemplo, quando o interior se ilumina pela noite pode então se ver as luzes saindo através das pedras perfuradas.
Então a Catedral da Sagrada Família, expressa em pedra, realmente as palavras de Cristo: “Eu sou a luz do mundo”.

sábado, 20 de julho de 2013

O Cisma do Oriente


As diferenças de fé e autoridade levaram à separação das igrejas - Oriental e Ocidental.
 


No século I, após a morte de Cristo, observamos a consolidação de uma nova religião que viria a se espalhar pelos quatro cantos do mundo. Apesar de tamanha capacidade, bem sabemos que o Cristianismo não era uma crença muito bem determinada desde o momento em que os discípulos ficaram como responsáveis pela disseminação da nova religião. Os detalhes, leis e estatutos transformaram-se em um grande campo de discussão que, na verdade, ainda continua em pleno movimento.

No primeiro século, a definição sobre as interpretações e práticas cristãs foi deixada de lado. A principal preocupação desse momento inicial era estabelecer a pregação do cristianismo em novos territórios e a ampliação das congregações já existentes. Somente no século segundo é que vemos o desenvolvimento de uma discussão sobre a data de comemoração da Páscoa. Já no século III, a expansão do cristianismo avança de forma notável entre os povos latinos, abrindo assim, portas para maiores divergências.

Avançando pelo tempo, observamos que as igrejas controladas por Roma (Ocidente) e por Constantinopla (Oriente) foram se distanciado em relação às questões de natureza teológica e política. Em vários momentos, os concílios ocorridos nas cidades orientais e ocidentais exprimiam diferentes concepções de fé. Logicamente, o desenvolvimento dessas querelas não só determinavam o enfraquecimento de uma Igreja una, mas também estabelecia uma tensa disputa de autoridade.

Em princípio, o poder de influência da Igreja de Constantinopla era mais visível, tendo em vista a prosperidade econômica e política de todo o seu território. Até então, os clérigos ocidentais não tinham condições de impor regras que pudessem se contrapor à sustentação teórica e política dos cristãos orientais. Entretanto, chegando ao século VI, vemos que o desenvolvimento e a expansão do reino dos Francos ofereceram os meios necessários para que os líderes romanos viessem a ter maior independência.

Nesse contexto de maior autonomia, os cristãos passaram a diferenciar-se em questões de fé e liturgia bastante significativas. Os orientais acreditavam que o Espírito Santo, a força ativa que exprime o poder espiritual, emanava somente do Pai. Ou seja, Cristo teria uma posição inferior ao não ter esse mesmo dom de seu criador. Em contrapartida, os cristãos do Ocidente acreditavam que o Espírito Santo era uma força que emanava tanto do Pai quanto do Filho, determinando uma condição de igualdade entre eles.

Além disso, podemos observar que a estrutura religiosa oriental esteve marcada por uma falta de limites entre a autoridade do governador imperial e os chefes da Igreja. Considerado um eleito de Deus, o imperador tinha poder e influência suficientes para discutir a nomeação de seus clérigos. Em contrapartida, a experiência cristã no Ocidente tomou uma orientação contrária, ao estabelecer que a autoridade sobre os assuntos religiosos estivesse reservada às ações tomadas pelo cardeal de Roma. 

O auge dessa diferença concretizou-se quando o cardeal romano Humberto (1015) determinou a excomunhão de Miguel Celulário (1000 - 1054), patriarca de Constantinopla. Nesse instante, estava aberta a possibilidade de um conflito interno de poder entre os cristãos. Contudo, no ano de 1054, a crise de poder acabou determinando a realização do Cisma do Oriente, que originou a criação da Igreja Ortodoxa (Oriente) e a Igreja Católica Apostólica Romana (Ocidente).

Em termos práticos, vemos que os ortodoxos ainda seguem vários dos sacramentos existentes na igreja ocidental. Contudo, os orientais não permitem a construção de imagens de santos esculpidos. Além disso, não acreditam que o papa seja um interlocutor infalível da verdade cristã ou na existência do purgatório. Dessa forma, observamos a consolidação de outra perspectiva religiosa no interior do cristianismo.

Missões jesuíticas na América



As missões jesuíticas na América foram realizadas por padres da Ordem jesuíta no intuito de evangelizar e civilizar os nativos do Novo Mundo, terras descobertas pelos colonizadores europeus. Conhecidas também pelo nome de reduções, estas missões eram organizadas em aldeamentos de índios que ficavam sob administração dos religiosos.

Entre os principais objetivos das missões jesuíticas na América, estava o de delinear uma sociedade com semelhantes qualidades da europeia, mas eliminando as suas características ruins. As missões podiam ser encontradas em diversas partes do território das colônias e, na opinião de alguns estudiosos, formavam um conjunto das mais observáveis e utópicas organizações da história.

No intuito de iniciar uma aproximação com os nativos, os religiosos das missões jesuíticas na América aprenderam as línguas dos aborígenes e criaram técnicas que facilitassem o convívio. Com isso, acabaram por organizar povos e até mesmo abrigar os indígenas. As missões apresentavam características como: regime comunitário, autossuficiência e infraestruturas cultural, administrativa e econômica completas. Muitos nativos, após serem doutrinados pelos jesuítas, começaram a se comportar de acordo com os costumes europeus.

Após diversas tentativas sem sucesso, o modelo dos missionários acaba se consolidando a partir do século XVII, quando se encontrava espalhado por uma grande parcela do território da América. Porém, alguns setores da Igreja Católica, que discordavam dos métodos dos jesuítas, assim como uma parte dos colonizadores, que achavam a evangelização fora de propósito; e os caçadores de escravos, fizeram uma forte oposição às missões jesuíticas na América.

Apesar das pressões e dos diversos problemas encontrados pelas missões, a partir do século XVIII, as missões jesuíticas na América tornam-se tão influentes que acabam acusadas de tentar criar um império autônomo. A partir de tal premissa, foram difamadas no continente europeu e na América. Em 1759, inicia-se um processo de expulsão dos jesuítas da América, que termina em 1773, com a dissolução da Ordem. Desta forma, o sistema de missões jesuíticas na América sucumbe e ocorre a disseminação dos povos nativos reduzidos.

As missões jesuíticas na América fizeram uma tentativa de introdução do sistema de vida do europeu aos nativos, integrando seus valores e tradições tribais, mas somente até o limite em que as características próprias dos índios não entrassem em conflito com as da fé pregada pelos jesuítas. Debatida por historiadores, os méritos das missões apresentam relevância no que se refere a primeira organização territorial nas colônias.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Curiosidade: As universidades na Idade Média

Universidade de Coimbra, uma das mais antigas do mundo, fundada em 1290 
Universidade de Coimbra, uma das mais antigas do mundo, fundada em 1290.


As universidades, além da função de formar pessoas aptas para o mercado de trabalho, também têm papel na formação de pessoas críticas em relação a diversos temas da sociedade, como na política, cultura e economia. Durante a Idade Média, a maioria das pessoas não tinha acesso às instituições educacionais e por isso existia uma grande quantidade de analfabetos.
As Universidades representavam o forte poder da Igreja Católica que controlava diretamente a publicação de ideias sobre a humanidade. A produção de conhecimento era filtrada pelos padres católicos, com a preocupação de manter a hegemonia religiosa. Uma maneira de controle do clero perante a sociedade foi a junção, por exemplo, da razão com a fé. O período conhecido de patrística e escolástica foram alternativas criadas por padres como Santo Agostinho e São Tomás de Aquino na busca para legitimar a existência de Deus por meio também da filosofia.
A partir do final do século XII, começaram a surgir em diversas cidades europeias as primeiras universidades que eram controladas diretamente pela Igreja Católica. Em relação aos cursos, um dos principais era o de Teologia, entretanto, havia também cursos como o de Direito e Medicina. Entre essas primeiras universidades, destacam-se Salermo, Paris, Oxford, Cambridge, Montpellier, Salamanca, Nápoles, Roma e Coimbra.
Essas primeiras universidades, além da influência católica, eram frequentadas somente por pessoas que possuíam condições econômicas.  Portanto, o seu acesso não era tão democrático como as universidades dos dias atuais. Outra caraterística era a falta de autonomia em relação à publicação de ideias que poderiam não agradar os membros do clero, que fiscalizavam a produção intelectual. Foi somente a partir do período conhecido por Renascimento, em meados do século XV e XVI, que os intelectuais conquistaram mais autonomia para criar alternativas a esse padrão de educação controlado pela Igreja.
O crescimento das cidades influenciou o surgimento de ideias inovadoras e a sensibilidade artística gerou mudanças nos hábitos e costumes. Surgiram movimentos alternativos ao clero, contribuindo para a construção de novos pensamentos. Foi assim que nas artes plásticas, durante o Renascimento, o homem produziu pinturas na concepção sensível de mundo, realizando obras com princípios matemáticos e racionais.

O Pensamento Moderno

Quando se deu a substituição da teoria geocêntrica, aceita durante mais de vinte séculos, a nova teoria Heliocêntrica não retirou apenas a Terra do centro do universo, mas também esfacelou uma construção estética que ordenava os espaços e hierarquizava o mundo superior dos Céus e o mundo inferior e corruptível da Terra. Galileu geometrizou o universo, igualando todos os espaços. Ao descobrir a Via-Láctea, contrapôs, a um mundo fechado e finito, a ideia da infinitude do céu.
Ocorre o surgimento de um novo homem, cujo valor não se encontra mais na família ou linhagem, mas no prestigio resultante do seu esforço e capacidade de trabalho. O modo de produção passo a ser capitalista.
A ciência deixa de ser serva da teologia, não mais um saber contemplativo, forma e finalista, para que, indissoluvelmente ligada à técnica, possa servir à nova classe.

Características do pensamento moderno

Racionalismo
Desenvolvendo a mentalidade crítica, questiona a autoridade da Igreja e o saber aristotélico. Assume uma atitude polemica perante a tradição. Só a razão é capaz de conhecer.
Antropocentrismo
O homem moderno coloca a si próprio no centro dos interesses e decisões. Dá-se a laicização do saber, da moral, da política, estimulada pela capacidade de livre exame.
Enquanto o pensamento antigo e medieval parte da realidade inquestionável do objeto e da capacidade do homem de conhecer, surge na Idade Moderna à preocupação com a “consciência da consciência”.

Este grande movimento especulativo, que é o pensamento moderno, naturalmente não se manifesta na sua significação imanentista senão na plenitude do seu desenvolvimento. Portanto, manifesta-se através de uma série de períodos, que se podem historicamente (e dialeticamente) indicar assim:
Descartes.1. - Antes de tudo a Renascença , em que a concepção imanentista, humanista ou naturalista, é potentemente afirmada e vivida. Trata-se, porém, de uma afirmação ainda não plenamente consciente e sistemática, em que o novo é misturado com o velho. Este, muitas vezes, prevalece, ao menos na exterioridade da forma lógica e literária. A Renascença é preparada pelo Humanismo, e tem como seu equivalente religioso a reforma protestante.
2. - A este primeiro período do pensamento moderno, que, substancialmente, abrange os séculos XV e XVI, se seguem o racionalismo e o empirismo, que abrangem os séculos XVII e XVIII. Após a revolução renascentista e protestante, sente-se a necessidade de uma séria indagação crítica, não para demolir aquelas intuições revolucionárias, mas, ao contrário, para dar-lhes uma sistematização lógica. É o que fará especialmente o racionalismo em relação ao conhecimento racional.
3. - E outro tanto fará e empirismo em relação ao conhecimento sensível. Empirismo e racionalismo são tendências especulativas, gnosiológicas, opostas entre si, como a gnosiologia sensista está certamente em oposição à gnosiologia intelectualista. Entretanto, concordam em um comum fenomenismo, pois, em ambos, o sujeito é isolado do ser e fechado no mundo das suas representações. Não se conhecem as coisas e sim o nosso conhecimento das coisas.

4. - Empirismo e racionalismo, após uma lenta, gradual e silenciosa maturação, encontrarão uma saída prática, social, política, moral, religiosa no iluminismo e, portanto, na revolução francesa (Segunda metade do século XVIII); esta representa a concreta realização do pensamento moderno na civilização moderna. Esse movimento começa na Inglaterra, triunfa na França e se espalha, em seguida, na Alemanha e na Itália.

95 Teses de Martinho Lutero

1ª Tese
Dizendo nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo: Arrependei-vos...., certamente quer que toda a vida dos seus crentes na terra seja contínuo arrependimento.
2ª Tese
E esta expressão não pode e não deve ser interpretada como referindo-se ao sacramento da penitência, isto é, à confissão e satisfação, a cargo do ofício dos sacerdotes.
3ª Tese
Todavia não quer que apenas se entenda o arrependimento interno; o arrependimento interno nem mesmo é arrependimento quando não produz toda sorte de modificações da carne.
4ª Tese
Assim sendo, o arrependimento e o pesar, isto é, a verdadeira penitência, perdura enquanto o homem se desagradar de si mesmo, a saber, até a entrada desta para a vida eterna.
5ª Tese
O papa não quer e não pode dispensar outras penas, além das que impôs ao seu alvitre ou em acordo com os cânones, que são estatutos papais.
6ª Tese
O papa não pode perdoar divida senão declarar e confirmar aquilo que Já foi perdoado por Deus; ou então faz nos casos que lhe foram reservados. Nestes casos, se desprezados, a dívida deixaria de ser em absoluto anulada ou perdoada.
7ª Tese
Deus a ninguém perdoa a dívida sem que ao mesmo tempo o subordine, em sincera humildade, ao sacerdote, seu vigário.
8ª Tese
Canones poenitendiales, que não as ordenanças de prescrição da maneira em que se deve confessar e expiar, apenas aio Impostas aos vivos, e, de acordo com as mesmas ordenanças, não dizem respeito aos moribundos.
9ª Tese
Eis porque o Espírito Santo nos faz bem mediante o papa, excluído este de todos os seus decretos ou direitos o artigo da morte e da necessidade suprema
10ª Tese
Procedem desajuizadamente e mal os sacerdotes que reservam e impõem aos moribundospoenitentias canonicas ou penitências para o purgatório a fim de ali serem cumpridas.
11ª Tese
Este joio, que é o de se transformar a penitência e satisfação, Previstas pelos cânones ou estatutos, em penitência ou penas do purgatório, foi semeado quando os bispos se achavam dormindo.
12ª Tese
Outrora canonicae poenae, ou sejam penitência e satisfação por pecadores cometidos eram impostos, não depois, mas antes da absolvição, com a finalidade de provar a sinceridade do arrependimento e do pesar.
13ª Tese
Os moribundos tudo satisfazem com a sua morte e estão mortos para o direito canônico, sendo, portanto, dispensados, com justiça, de sua imposição.
14ª Tese
Piedade ou amor Imperfeitos da parte daquele que se acha às portas da morte necessariamente resultam em grande temor; logo, quanto menor o amor, tanto maior o temor.
15ª Tese
Este temor e espanto em si tão só, sem falar de outras cousas, bastam para causar o tormento e o horror do purgatório, pois que se avizinham da angústia do desespero.
16ª Tese
Inferno, purgatório e céu parecem ser tão diferentes quanto o são um do outro o desespero completo, incompleto ou quase desespero e certeza.
17ª Tese
Parece que assim como no purgatório diminuem a angústia e o espanto das almas, nelas também deve crescer e aumentar o amor.
18ª Tese
Bem assim parece não ter sido provado, nem por boas ações e nem pela Escritura, que as almas no purgatório se encontram fora da possibilidade do mérito ou do crescimento no amor.
19ª Tese
Ainda parece não ter sido provado que todas as almas do purgatório tenham certeza de sua salvação e não receiem por ela, não obstante nós termos absoluta certeza disto.
20ª Tese
Por isso o papa não quer dizer e nem compreende com as palavras “perdão plenário de todas as penas” que todo o tormento é perdoado, mas as penas por ele impostas.
21ª Tese
Eis porque erram os apregoadores de indulgências ao afirmarem ser o homem perdoado de todas as penas e salvo mediante a indulgência do papa.
22ª Tese
Pensa com efeito, o papa nenhuma pena dispensa às almas no purgatório das que segundo os cânones da Igreja deviam ter expiado e pago na presente vida.
23ª Tese
Verdade é que se houver qualquer perdão plenário das penas, este apenas será dado aos mais perfeitos, que são muito poucos.
24ª Tese
Assim sendo, a maioria do povo é ludibriada com as pomposas promessas do indistinto perdão, impressionando-se o homem singelo com as penas pagas.
25ª Tese
Exatamente o mesmo poder geral, que o papa tem sobre o purgatório, qualquer bispo e cura d'almas o tem no seu bispado e na sua paróquia, quer de modo especial e quer para com os seus em particular.
26ª Tese
O papa faz muito bem em não conceder às almas o perdão em virtude do poder das chaves (ao qual não possui), mas pela ajuda ou em forma de intercessão.
27ª Tese
Pregam futilidades humanas quantos alegam que no momento em que a moeda soa ao cair na caixa a alma se vai do purgatório.
28ª Tese
Certo é que no momento em que a moeda soa na caixa vêm o lucro e o amor ao dinheiro cresce e aumenta; a ajuda, porém, ou a intercessão da Igreja tão só correspondem à vontade e ao agrado de Deus.
29ª Tese
E quem sabe, se todas as almas do purgatório querem ser libertadas, quando há quem diga o que sucedeu com Santo Severino e Pascoal.
30ª Tese
Ninguém tem certeza da suficiência do seu arrependimento e pesar verdadeiros; muito menos certeza pode ter de haver alcançado pleno perdão dos seus pecados.
31ª Tese
Tão raro como existe alguém que possui arrependimento e, pesar verdadeiros, tão raro também é aquele que verdadeiramente alcança indulgência, sendo bem poucos os que se encontram.
32ª Tese
Irão para o diabo juntamente com os seus mestres aqueles que julgam obter certeza de sua salvação mediante breves de indulgência.
33ª Tese
Há que acautelasse muito e ter cuidado daqueles que dizem: A indulgência do papa é a mais sublime e mais preciosa graça ou dadiva de Deus, pela qual o homem é reconciliado com Deus.
34ª Tese
Tanto assim que a graça da indulgência apenas se refere à pena satisfatória estipulada por homens.
35ª Tese
Ensinam de maneira ímpia quantos alegam que aqueles que querem livrar almas do purgatório ou adquirir breves de confissão não necessitam de arrependimento e pesar.
36ª Tese
Todo e qualquer cristão que se arrepende verdadeiramente dos seus pecados, sente pesar por ter pecado, tem pleno perdão da pena e da dívida, perdão esse que lhe pertence mesmo sem breve de indulgência.
37ª Tese
Todo e qualquer cristão verdadeiro, vivo ou morto, é participante de todos os bens de Cristo e da Igreja, dádiva de Deus, mesmo sem breve de indulgência.
38ª Tese
Entretanto se não deve desprezar o perdão e a distribuição por parte do papa. Pois, conforme declarei, o seu perdão constitui uma declaração do perdão divino.
39ª Tese
É extremamente difícil, mesmo para os mais doutos teólogos, exaltar diante do povo ao mesmo tempo a grande riqueza da indulgência e ao contrário o verdadeiro arrependimento e pesar.
40ª Tese
O verdadeiro arrependimento e pesar buscam e amam o castigo: mas a profusão da indulgência livra das penas e faz com que se as aborreça, pelo menos quando há oportunidade para isso.
41ª Tese
É necessário pregar cautelosamente sobre a indulgência papal para que o homem singelo não julgue erroneamente ser a indulgência preferível às demais obras de caridade ou melhor do que elas.
42ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos, não ser pensamento e opinião do papa que a aquisição de indulgência de alguma maneira possa ser comparada com qualquer obra de caridade.
43ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos proceder melhor quem dá aos pobres ou empresta aos necessitados do que os que compram indulgências.
44ª Tese
Ê que pela obra de caridade cresce o amor ao próximo e o homem torna-se mais piedoso; pelas indulgências, porém, não se torna melhor senão mais seguro e livre da pena.
45ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos que aquele que vê seu próximo padecer necessidade e a despeito disto gasta dinheiro com indulgências, não adquire indulgências do papa. mas provoca a ira de Deus.
46ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos que, se não tiverem fartura , fiquem com o necessário para a casa e de maneira nenhuma o esbanjem com indulgências.
47ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos, ser a compra de indulgências livre e não ordenada
48ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos que, se o papa precisa conceder mais indulgências, mais necessita de uma oração fervorosa do que de dinheiro.
49ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos, serem muito boas as indulgências do papa enquanto o homem não confiar nelas; mas muito prejudiciais quando, em conseqüência delas, se perde o temor de Deus.
50ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos que, se papa tivesse conhecimento da traficância dos apregoadores de indulgências, preferiria ver a catedral de São Pedro ser reduzida a cinzas a ser edificada com a pele, a carne e os ossos de suas ovelhas.
51ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos que o papa, por dever seu, preferiria distribuir o seu dinheiro aos que em geral são despojados do dinheiro pelos apregoadores de indulgências, vendendo, se necessário fosse, a própria catedral de São Pedro.
52º Tese
Comete-se injustiça contra a Palavra de Deus quando, no mesmo sermão, se consagra tanto ou mais tempo à indulgência do que à pregação da Palavra do Senhor.
53ª Tese
São inimigos de Cristo e do papa quantos por causa da prédica de indulgências proíbem a Palavra de Deus nas demais igrejas.
54ª Tese
Esperar ser salvo mediante breves de indulgência é vaidade e mentira, mesmo se o comissário de indulgências, mesmo se o próprio papa oferecesse sua alma como garantia.
55ª Tese
A intenção do papa não pode ser outra do que celebrar a indulgência, que é a causa menor, com um sino, uma pompa e uma cerimônia, enquanto o Evangelho, que é o essencial, importa ser anunciado mediante cem sinos, centenas de pompas e solenidades.
56ª Tese
Os tesouros da Igreja, dos quais o papa tira e distribui as indulgências, não são bastante mencionados e nem suficientemente conhecido na Igreja de Cristo.
57ª Tese
Que não são bens temporais, é evidente, porquanto muitos pregadores a estes não distribuem com facilidade, antes os ajuntam.
58ª Tese
Tão pouco são os merecimentos de Cristo e dos santos, porquanto estes sempre são eficientes e, independentemente do papa, operam salvação do homem interior e a cruz, a morte e o inferno para o homem exterior.
59ª Tese
São Lourenço aos pobres chamava tesouros da Igreja, mas no sentido em que a palavra era usada na sua época.
60ª Tese
Afirmamos com boa razão, sem temeridade ou leviandade, que estes tesouros são as chaves da Igreja, a ela dado pelo merecimento de Cristo.
61ª Tese
Evidente é que para o perdão de penas e para a absolvição em determinados casos o poder do papa por si só basta.
62ª Tese
O verdadeiro tesouro da Igreja é o santíssimo Evangelho da glória e da graça de Deus.
63ª Tese
Este tesouro, porém, é muito desprezado e odiado, porquanto faz com que os primeiros sejam os últimos.
64ª Tese
Enquanto isso o tesouro das indulgências é sabiamente o mais apreciado, porquanto faz com que os últimos sejam os primeiros.
65ª Tese
Por essa razão os tesouros evangélicos outrora foram as redes com que se apanhavam os ricos e abastados.
66ª Tese
Os tesouros das indulgências, porém, são as redes com que hoje se apanham as riquezas dos homens.
67ª Tese
As indulgências apregoadas pelos seus vendedores como a mais sublime graça decerto assim são consideradas porque lhes trazem grandes proventos.
68ª Tese
Nem por isso semelhante indigência não deixa de ser a mais Intima graça comparada com a graça de Deus e a piedade da cruz.
69ª Tese
Os bispos e os sacerdotes são obrigados a receber os comissários das indulgências apostólicas com toda a reverência-
70ª Tese
Entretanto têm muito maior dever de conservar abertos olhos e ouvidos, para que estes comissários, em vez de cumprirem as ordens recebidas do papa, não preguem os seus próprios sonhos.
71ª Tese
Aquele, porém, que se insurgir contra as palavras insolentes e arrogantes dos apregoadores de indulgências, seja abençoado.
72ª Tese
Quem levanta a sua voz contra a verdade das indulgências papais é excomungado e maldito.
73ª Tese
Da mesma maneira em que o papa usa de justiça ao fulminar com a excomunhão aos que em prejuízo do comércio de indulgências procedem astuciosamente.
74ª Tese
Muito mais deseja atingir com o desfavor e a excomunhão àqueles que, sob o pretexto de indulgência, prejudiquem a santa caridade e a verdade pela sua maneira de agir.
75ª Tese
Considerar as indulgências do papa tão poderosas, a ponto de poderem absolver alguém dos pecados, mesmo que (cousa impossível) tivesse desonrado a mãe de Deus, significa ser demente.
78 ª Tese
Bem ao contrario, afirmamos que a indulgência do papa nem mesmo o menor pecado venial pode anular o que diz respeito à culpa que constitui.
77ª Tese
Dizer que mesmo São Pedro, se agora fosse papa, não poderia dispensar maior indulgência, significa blasfemar S. Pedro e o papa.
78ª Tese
Em contrario dizemos que o atual papa, e todos os que o sucederam, é detentor de muito maior indulgência, isto é, o Evangelho, as virtudes o dom de curar, etc., de acordo com o que diz 1Coríntios 12.
79ª Tese
Afirmar ter a cruz de indulgências adornada com as armas do papa e colocada na igreja tanto valor como a própria cruz de Cristo, é blasfêmia.
80ª Tese
Os bispos, padres e teólogos que consentem em semelhante linguagem diante do povo, terão de prestar contas deste procedimento.
81ª Tese
Semelhante pregação, a enaltecer atrevida e insolentemente a Indulgência, faz com que mesmo a homens doutos é difícil proteger a devida reverência ao papa contra a maledicência e as fortes objeções dos leigos.
82 ª Tese
Eis um exemplo: Por que o papa não tira duma só vez todas as almas do purgatório, movido por santíssima' caridade e em face da mais premente necessidade das almas, que seria justíssimo motivo para tanto, quando em troca de vil dinheiro para a construção da catedral de S. Pedro, livra um sem número de almas, logo por motivo bastante Insignificante?
83ª Tese
Outrossim: Por que continuam as exéquias e missas de ano em sufrágio das almas dos defuntos e não se devolve o dinheiro recebido para o mesmo fim ou não se permite os doadores busquem de novo os benefícios ou pretendas oferecidos em favor dos mortos, visto' ser Injusto continuar a rezar pelos já resgatados?
84ª Tese
Ainda: Que nova piedade de Deus e dó papa é esta, que permite a um ímpio e inimigo resgatar uma alma piedosa e agradável a Deus por amor ao dinheiro e não resgatar esta mesma alma piedosa e querida de sua grande necessidade por livre amor e sem paga?
85ª Tese
Ainda: Por que os cânones de penitencia, que, de fato, faz muito caducaram e morreram pelo desuso, tornam a ser resgatados mediante dinheiro em forma de indulgência como se continuassem bem vivos e em vigor?
86ª Tese
Ainda: Por que o papa, cuja fortuna hoje é mais principesca do que a de qualquer Credo, não prefere edificar a catedral de S. Pedro de seu próprio bolso em vez de o fazer com o dinheiro de fiéis pobres?
87ª Tese
Ainda: Quê ou que parte concede o papa do dinheiro proveniente de indulgências aos que pela penitência completa assiste o direito à indulgência plenária?
88ª Tese
Afinal: Que maior bem poderia receber a Igreja, se o papa, como Já O faz, cem vezes ao dia, concedesse a cada fiel semelhante dispensa e participação da indulgência a título gratuito.
89ª Tese
Visto o papa visar mais a salvação das almas do que o dinheiro, por que revoga os breves de indulgência outrora por ele concedidos, aos quais atribuía as mesmas virtudes?
90ª Tese
Refutar estes argumentos sagazes dos leigos pelo uso da força e não mediante argumentos da lógica, significa entregar a Igreja e o papa a zombaria dos inimigos e desgraçar os cristãos.
91ª Tese
Se a Indulgência fosse apregoada segundo o espírito e sentido do papa, aqueles receios seriam facilmente desfeitos, nem mesmo teriam surgido.
92ª Tese
Fora, pois, com todos estes profetas que dizem ao povo de Cristo: Paz! Paz! e não há Paz.
93ª Tese
Abençoados sejam, porém, todos os profetas que dizem à grei de Cristo: Cruz! Cruz! e não há cruz.
94ª Tese
Admoestem-se os cristãos a que se empenhem em seguir sua Cabeça Cristo através do padecimento, morte e inferno.
95ª Tese
E assim esperem mais entrar no Reino dos céus através de muitas tribulações do que facilitados diante de consolações infundadas.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Contra-Reforma



A Contrarreforma, de modo geral, consistiu em um conjunto de medidas tomadas pela Igreja Católica com o surgimento das religiões protestantes. Longe de promover mudanças estruturais nas doutrinas e práticas do catolicismo, a Contrarreforma estabeleceu um conjunto de medidas que atuou em duas vias: atuando contra outras denominações religiosas e promovendo meios de expansão da fé católica.

Uma das principais medidas tomadas foi a criação da Companhia de Jesus. Designados como um braço da Igreja, os jesuítas deveriam expandir o catolicismo ao redor do mundo. Contando com uma estrutura hierárquica rígida, os jesuítas foram os principais responsáveis pelo processo de catequização das populações dos continentes americano e asiático. Utilizando um sistema de rotinas e celebrações religiosas regulares, a Companhia de Jesus conseguiu converter um grande número de pessoas nos territórios coloniais europeus.

A Inquisição, instaurada pelo Tribunal do Santo Oficio, outra instituição eclesiástica criada na Contrarreforma, teve como principal função combater o desvio dos fiéis católicos e a expansão de outras denominações religiosas. Além de perseguir protestantes, a Santa Inquisição também combateu judeus e islâmicos, que eram considerados pecadores e infiéis. Entre outras formas, a Inquisição atuava com a abertura de processos de investigação que acatavam denúncias contra hereges e praticantes de bruxaria. Caso fossem comprovadas as denúncias, o acusado era punido com sanções que iam desde o voto de silêncio até a morte na fogueira.

Em 1542, o Concílio de Trento, uma reunião dos principais líderes da Igreja organizada pelo papa Paulo III, selou o conjunto de medidas tomadas pela Contrarreforma. No Concílio de Trento estabeleceu-se o princípio de infabilidade papal e a declaração do Índex, conjunto de livros proibidos pela Igreja. Além disso, a Vulgata foi estabelecida como versão oficial da Bíblia Sagrada, foi proibida a venda de indulgências e todas as doutrinas católicas foram reafirmadas.

Reforma Protestante


Reforma Protestante foi apenas uma das inúmeras Reformas Religiosas  ocorridas após a Idade Média e que tinham como base, além do cunho religioso, a insatisfação com as atitudes da Igreja Católica e seu distanciamento com relação aos princípios primordiais.
Durante a Idade Média a Igreja Católica se tornou muito mais poderosa, interferindo nas decisões políticas e juntando altas somas em dinheiro e terras apoiada pelo sistema feudalista. Desta forma, ela se distanciava de seus ensinamentos e caía em contradição, chegando mesmo a vender indulgências (o que seria o motivo direto da contestação de Martinho Lutero, que deflagrou a Reforma Protestante propriamente dita), ou seja, a Igreja pregava que qualquer cristão poderia comprar o perdão por seus pecados.
Outros fatores que contribuíram para a ocorrência das Reformas foi o fato de que a Igreja condenava abertamente a acumulação de capitais (embora ela mesma o fizesse). Logo, a burguesia ascendente necessitava de uma religião que a redimisse dos pecados da acumulação de dinheiro.
Junto a isso havia o fato de que o sistema feudalista estava agora dando lugar às Monarquias nacionais que começam a despertar na população o sentimento de pertencimento e colocam a Nação e o rei acima dos poderes da Igreja.
Desta forma, Martinho Lutero, monge agostiniano da região da saxônia, deflagrou a Reforma Protestante ao discordar publicamente da prática de venda de indulgências pelo Papa Leão X.
Leão X (1513-1521) com o intuito de terminar a construção da Basílica de São Pedro determinou a venda de indulgências  (perdão dos pecados) a todos os cristãos. Lutero, que foi completamente contra, protestou com 95 proposições que afixou na porta da igreja onde era mestre e pregador. Em suas proposições condenava a prática vergonhosa do pagamento de indulgências, o que fez com que Leão X exigisse dele uma retratação pelo ato. O que nunca foi conseguido. Leão X então, excomungou Lutero que em mais uma manifestação de protesto, rasgou a Bula Papal (documento da excomunhão), queimando-a em público.
Então, enquanto Lutero era acolhido por seu protetor, o príncipe Frederico da Saxônia, diversos nobres alemães se aproveitaram da situação como uma oportunidade para tomar os inúmeros bens que a igreja possuía na região. Assim, três revoltas eclodiram: uma em 1522 quando os cavaleiros do império atacaram diversos principados eclesiásticos afim de ganhar terras e poder; outra em 1523, quando a nobreza católica reagiu; e, uma em 1524, quando os camponeses aproveitando-se da situação começaram a lutar pelo fim da servidão e pelas igualdades de condições. Mas esta última também foi rechaçada por uma união entre os católicos, protestantes, burgueses e padres que se sentiram ameaçados e exterminaram mais de 100 mil camponeses. O maior destaque da revolta camponesa na rebelião de 1524 foi Thomas Münzer, suas idéias dariam início ao movimento “anabatista”, uma nova igreja ainda mais radical que a luterana.

Cruzadas


De 1096 a 1270, expedições foram formadas sob o comando da Igreja, a fim de recuperar Jerusalém (que se encontrava sob domínio dos turcos seldjúcidas) e reunificar o mundo cristão, dividido com a “Cisma do Oriente”. Essas expedições ficaram conhecidas como Cruzadas.

A Europa do século XI prosperava. Com o fim das invasões bárbaras, teve início um período de estabilidade e um crescimento do comércio. Consequentemente, a população também cresceu. No mundo feudal, apenas o primogênito herdava os feudos, o que resultou em muitos homens para pouca terra. Os homens, sem terra para tirar seu sustento, se lançaram na criminalidade, roubando, saqueando e sequestrando. Algo precisava ser feito.

Como foi dito anteriormente, o mundo cristão se encontrava dividido. Por não concordarem com alguns dogmas da Igreja Romana (adoração a santos, cobrança de indulgências, etc.), os católicos do Oriente fundaram a Igreja Ortodoxa. Jerusalém, a Terra Santa, pertencia ao domínio árabe e até o século XI eles permitiram as peregrinações cristãs à Terra Santa. Mas no final do século XI, povos da Ásia Central, os turcos seldjúcidas, tomaram Jerusalém. Convertidos ao islamismo, os seldjúcidas eram bastante intolerantes e proibiram o acesso dos cristãos a Jerusalém.

Em 1095, o papa Urbano II convocou expedições com o intuito de retomar a Terra Sagrada. Os cruzados (como ficaram conhecidos os expedidores) receberam esse nome por carregarem uma grande cruz, principal símbolo do cristianismo, estampada nas vestimentas. Em troca da participação, ganhariam o perdão de seus pecados.


A Igreja não era a única interessada no êxito dessas expedições: a nobreza feudal tinha interesse na conquista de novas terras; cidades mercantilistas como Veneza e Gênova deslumbravam com a possibilidade de ampliar seus negócios até o Oriente e todos estavam interessados nas 
especiarias orientais, pelo seu alto valor, como: pimenta-do-reino, cravo, noz-moscada, canela e outros. Movidas pela fé e pela ambição, entre os séculos XI e XIII, partiram para o Oriente oito Cruzadas.


A primeira (1096 – 1099) não tinha participação de nenhum rei. Formada por cavaleiros da nobreza, em julho de 1099, tomaram Jerusalém. A segunda (1147 – 1149) fracassou em razão das discordâncias entre seus líderes Luís VII, da França, e Conrado III, do Sacro Império. Em 1189, Jerusalém foi retomada pelo sultão muçulmano Saladino. A terceira cruzada (1189 – 1192), conhecida como ‘”Cruzada dos Reis”, contou com a participação do rei inglês Ricardo Coração de Leão, do rei francês Filipe Augusto e do rei Frederico Barbarruiva, do Sacro Império. Nessa cruzada foi firmado um acordo de paz entre Ricardo e Saladino, autorizando os cristãos a fazerem peregrinações a Jerusalém. A quarta cruzada (1202 – 1204) foi financiada pelos venezianos, interessados nas relações comerciais. A quinta (1217 – 1221), liderada por João de Brienne, fracassou ao ficar isolada pelas enchentes do Rio Nilo, no Egito. A sexta (1228 – 1229) ficou marcada por ter retomado Jerusalém, Belém e Nazaré, cidades invadidas pelos turcos. A sétima (1248 – 1250) foi comandada pelo rei francês Luís IX e pretendia, novamente, tomar Jerusalém, mais uma vez retomada pelos turcos. A oitava (1270) e última cruzada foi um fracasso total. Os cristãos não criaram raízes entre a população local e sucumbiram.

As Cruzadas não conseguiram seus principais objetivos, mas tiveram outras consequências como o enfraquecimento da aristocracia feudal, o fortalecimento do poder real, a expansão do mercado e o enriquecimento do Oriente.