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sábado, 20 de julho de 2013

O Cisma do Oriente


As diferenças de fé e autoridade levaram à separação das igrejas - Oriental e Ocidental.
 


No século I, após a morte de Cristo, observamos a consolidação de uma nova religião que viria a se espalhar pelos quatro cantos do mundo. Apesar de tamanha capacidade, bem sabemos que o Cristianismo não era uma crença muito bem determinada desde o momento em que os discípulos ficaram como responsáveis pela disseminação da nova religião. Os detalhes, leis e estatutos transformaram-se em um grande campo de discussão que, na verdade, ainda continua em pleno movimento.

No primeiro século, a definição sobre as interpretações e práticas cristãs foi deixada de lado. A principal preocupação desse momento inicial era estabelecer a pregação do cristianismo em novos territórios e a ampliação das congregações já existentes. Somente no século segundo é que vemos o desenvolvimento de uma discussão sobre a data de comemoração da Páscoa. Já no século III, a expansão do cristianismo avança de forma notável entre os povos latinos, abrindo assim, portas para maiores divergências.

Avançando pelo tempo, observamos que as igrejas controladas por Roma (Ocidente) e por Constantinopla (Oriente) foram se distanciado em relação às questões de natureza teológica e política. Em vários momentos, os concílios ocorridos nas cidades orientais e ocidentais exprimiam diferentes concepções de fé. Logicamente, o desenvolvimento dessas querelas não só determinavam o enfraquecimento de uma Igreja una, mas também estabelecia uma tensa disputa de autoridade.

Em princípio, o poder de influência da Igreja de Constantinopla era mais visível, tendo em vista a prosperidade econômica e política de todo o seu território. Até então, os clérigos ocidentais não tinham condições de impor regras que pudessem se contrapor à sustentação teórica e política dos cristãos orientais. Entretanto, chegando ao século VI, vemos que o desenvolvimento e a expansão do reino dos Francos ofereceram os meios necessários para que os líderes romanos viessem a ter maior independência.

Nesse contexto de maior autonomia, os cristãos passaram a diferenciar-se em questões de fé e liturgia bastante significativas. Os orientais acreditavam que o Espírito Santo, a força ativa que exprime o poder espiritual, emanava somente do Pai. Ou seja, Cristo teria uma posição inferior ao não ter esse mesmo dom de seu criador. Em contrapartida, os cristãos do Ocidente acreditavam que o Espírito Santo era uma força que emanava tanto do Pai quanto do Filho, determinando uma condição de igualdade entre eles.

Além disso, podemos observar que a estrutura religiosa oriental esteve marcada por uma falta de limites entre a autoridade do governador imperial e os chefes da Igreja. Considerado um eleito de Deus, o imperador tinha poder e influência suficientes para discutir a nomeação de seus clérigos. Em contrapartida, a experiência cristã no Ocidente tomou uma orientação contrária, ao estabelecer que a autoridade sobre os assuntos religiosos estivesse reservada às ações tomadas pelo cardeal de Roma. 

O auge dessa diferença concretizou-se quando o cardeal romano Humberto (1015) determinou a excomunhão de Miguel Celulário (1000 - 1054), patriarca de Constantinopla. Nesse instante, estava aberta a possibilidade de um conflito interno de poder entre os cristãos. Contudo, no ano de 1054, a crise de poder acabou determinando a realização do Cisma do Oriente, que originou a criação da Igreja Ortodoxa (Oriente) e a Igreja Católica Apostólica Romana (Ocidente).

Em termos práticos, vemos que os ortodoxos ainda seguem vários dos sacramentos existentes na igreja ocidental. Contudo, os orientais não permitem a construção de imagens de santos esculpidos. Além disso, não acreditam que o papa seja um interlocutor infalível da verdade cristã ou na existência do purgatório. Dessa forma, observamos a consolidação de outra perspectiva religiosa no interior do cristianismo.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

As Pólis Gregas

As pólis remontam ao processo de desorganização econômico-social resultante da invasão dória e têm como traço comum a origem de organizações familiares agro-pastoris que se espalharam pelo acidentado território hoje conhecido como Grécia. Em meados do século VI a.C., elas já somavam 1500 unidades com governos próprios.
A grande novidade na sociedade grega do período arcaico foi a invenção da propriedade privada. Numa sociedade com claro predomínio social do guerreiro, esta inovação trouxe um personagem novo, o guerreiro-proprietário. A divisão social (baseada em pequenos, médios e grandes proprietários) tornava mais complexa a sociedade grega que as anteriores.
A consequência foi a transferência do poder de antigos reis para um grupo restrito de poderosas famílias de guerreiros que haviam se tornado proprietárias e que podemos chamar de aristocracia.
A repartição desigual de terras gerou uma vasta classe de empobrecidos que, necessitando de empréstimos tomados aos mais ricos para sobreviver, passaram a sofrer a escravidão. E a necessidade de fugir da escravização levou os mais pobres a ocuparem novas áreas ao longo do mediterrâneo (sul da Itália e Sicília, às margens do mar Negro).
Tal expansão colonizadora incentivou as atividades comerciais propiciando o surgimento de uma nova aristocracia – gregos enriquecidos pelo comércio. Com isto, a antiga aristocracia se vê diante de um problema: além das pressões populares para deter a pauperização, a pressão dessa nova aristocracia para participar das decisões políticas das pólis.
Atenas, Esparta, Mégara, Corinto, Argos e Mileto foram as principais cidades-estados gregas. As duas primeiras ficaram célebres por suas profundas diferenças. O caso de Esparta, com seu militarismo, foi atípico e representou uma exceção entre as pólis gregas, cuja evolução geral assemelhou-se mais ao desenvolvimento de Atenas.